Vera Alves Cepêda

Vera Alves Cepêda 2017-05-31T15:06:22+00:00
Currículo
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Graduação em Ciências Sociais pela USP (1992), mestrado e doutorado em Ciência Política pela USP (1998; 2004), pós-doutorado em Ciência Política pelo IESP/UERJ (2016). Coordena o grupo de pesquisa Ideias e instituições para o desenvolvimento e a democracia (CNPq) e desenvolve trabalhos que analisam processos históricos de articulação entre o tema do desenvolvimento social e econômico com a dimensão do papel do Estado, dos direitos e das políticas públicas com capacidade de produção de mudança social. Nessa agenda incorporam-se também o estudo de correntes de pensamento, paradigmas, instituições e elites acadêmicas ou institucionalizadas que tematizem ou influenciem a configuração de projetos político-sociais.

Professora Associada DCSo

Linha de pesquisa: Urbanização, ruralidades, desenvolvimento e sustentabilidade ambiental

Áreas de investigação: desenvolvimento; democracia; pensamento social; elites; políticas públicas; capacidades estatais

Projeto(s) de Pesquisa em Andamento:

Trajetórias do sindicalismo metalúrgico paulista: um balanço sobre a Fem-CUT

Resumo: A constituição e as metamorfoses que ocorreram no campo do sindicalismo brasileiro fazem parte do processo mais amplo da modernização e da conformação das instituições políticas nacionais ao longo do século XX e XXI. Desde seu surgimento e articulação, no chamado modelo varguista – (sindicalismo único e de forte vinculação com o Estado), a organização dos trabalhadores tomou forma distinta e foi ponto fundamental na definição de vários arranjos no quadro político nacional. Neste projeto pretende-se reconstituir o processo de formação, evolução e trajetória da Federação dos Sindicatos Metalúrgicos do estado de São Paulo, ligados à CUT, desde sua fundação em 1992. Trata-se de compreender seu projeto de criação e de ação no espaço político que cruza um importante segmento sindical (os trabalhadores metalúrgicos), no contexto econômico paulista, em forte conexão com a vida pública, em especial pela criação da Central Única dos Trabalhadores e do Partido dos Trabalhadores. Serão realizados o levantamento e sistematização de documentos internos da FEM-CUT, entrevistas com principais atores do contexto (história oral), pesquisa em acervos externos, tratamento sistematizado do veiculo de informação oficial do campo (A Tribuna), entre outros. O objetivo é o de produzir a memória da FEM-CUT em conexão com o ambiente econômico e político que o rodeia, delineando suas fases, pauta e impactos mais amplos no cenário político paulista e nacional.

 

Modernização, classes sociais e nacionalismo: o corporativismo enquanto teoria social e projeto político.

Resumo: A primeira metade do século XX foi marcada, no cenário internacional e também no Brasil, pelo surgimento de teses que recusaram o projeto de modernização nacional a partir dos pressupostos da teoria liberal, predominante até as crises do entreguerras e o crash de 1929. Rompendo com os postulados clássicos do livre mercado, do individualismo como fundamento social e político, de um lado, e reconhecendo a natureza contraditória da evolução do capitalismo e do padrão do conflito de classes, por outro, emerge no contexto europeu uma formulação importante e concorrente: o corporativismo. Sua força, facilmente reconhecida pela ampla circulação e adoção enquanto forma social e política em vários países (em especial na associação corporativismo-fascismos), advém da conjunção entre uma visão de sociedade (de grupos sociais e não de indivíduos ou classes), de uma teoria econômica (que crítica ao capitalismo de performance liberal gera um formato nacional e de articulação entre capital e trabalho em bases nacionais) e, por extensão, de um percepção do pacto político e do formato adequado ao Estado (pautado na centralidade absoluta do pdoer político e alta dose de ingerência em noem de um projeto de nação). Com base nesse contexto este projeto visa observar a emergência do corporatismo em seu padrão europeu e na sua recepção no Brasil enquanto uma teoria social robusta, analisando o padrão de ressignificação e ajuste no contexto específico brasileiro (1920-1960) e sua função no quadro do debate intelectual sobre o atraso, a fragilidade da morfologia societal, a questão da modernização e dos dilemas da construção da nação. Os dois períodos centrais no recorte temporal da pesquisa são o contexto da Revolução de 1930 e o projeto nacional-desenvolvimentista dos anos 50 e 60.