Maria Aparecida de Moraes Silva

Maria Aparecida de Moraes Silva 2016-12-21T14:36:33+00:00
Currículo
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Doutorado em Sociologie du Dévéloppement (IEDES) – Université Paris 1 (Panthéon-Sorbonne) (1980).

Docente Permanente do PPGS-UFSCar

Durante quase quatro décadas, venho me dedicando aos estudos sociológicos, voltados para a pesquisa, ensino e interlocução com a sociedade. Embora aposentada formalmente desde 1997, tenho procurado aprofundar as reflexões em torno de uma sociologia crítica, capaz de dar conta das preocupações do campo da sociologia rural, considerado como uma das particularidades do universo das ciências humanas. Assim sendo, categorias de classe/raça/gênero/memória/trabalho são vistas tanto de uma perspectiva analítica como histórica. Esta postura me conduz às chaves interpretativas que não se reduzem ao chamado rural strictu sensu. Por meio de constantes diálogos acadêmicos com professores (as) brasileiros (as) e estrangeiros (as), sobretudo os (as) de América Latina, além de estudantes e orientandos (as), tenho sido contemplada nesta longa caminhada com o prazer de ver meus conhecimentos se consolidando. Ademais, minha preocupação com os sujeitos de pesquisa, trabalhadoras e trabalhadores rurais, tem me inserido no Brasil Profundo, muitas vezes renegado e desconhecido. É o conhecimento deste desconhecido que vem me vigorando com muita força. Ademais, a convivência harmoniosa com amigos (as) do PPG/Sociologia da UFSCar foi e continua sendo um dos alicerces da minha permanência no meio acadêmico.

Pesquisadora Nível 1A do CNPq. Atualmente é professora livre-docente visitante do programa de Pós-graduação em Sociologia da UFSCar com bolsa de Pesquisadora Senior da CAPES (2014).

Linha de Pesquisa no PPGS: Urbanização,ruralidades, desenvolvimento e sustentabilidade ambiental

Áreas de Investigação: Sociologia do trabalho (rural e urbano); Migrações; Memória; Gênero; Raça/etnia

Grupo de Pesquisa: Terra, Trabalho, Memória e Migração. ttramma@googlegroups.com

Projeto(s) de Pesquisa em Andamento:

1-    Mercado de trabalho e trajetórias femininas na agricultura canavieira paulista (2010-2015). Financiamento CNPq.
Projeto individual.
Resumo: O estado de São Paulo é hoje o maior produtor de açúcar e álcool do país. A área ocupada pela cultura canavieira é de 4,5 milhões de hectares, segundo o IEA, com perspectivas de crescimento contínuo nos próximos anos. À medida que aumenta esta produção, outras entram em declínio, principalmente, aquelas destinadas á alimentação. Ademais, este processo também implica na concentração dos capitais e da terra, sem contar que, nos últimos anos, tem se intensificado o processo de mecanização do corte da cana, responsável pela contínua redução de empregos não somente para os trabalhadores locais como também para os migrantes. Desde meados da década de 1980, as mulheres estão sendo alijadas deste mercado de trabalho em detrimento do emprego de homens jovens e migrantes. Desta sorte, o presente projeto visa à análise de duas situações sociais e laborais: uma delas referente às mulheres, que foram alijadas das atividades na cana; e outra, referente àquelas que aí permaneceram, na condição de bituqueiras, ou seja, de coletoras de pedaços de cana, deixados pelas máquinas e tratores nos canaviais.

Para a realização deste objetivo, serão analisados dois estudos: O primeiro se reporta à captação das histórias de vida e trajetórias com as bituqueiras e o segundo com aquelas que, hoje, se acham empregadas em atividades domésticas. A discussão teórica privilegiará as categorias analíticas de trabalho, gênero e etnia. O universo empírico da investigação são cidades-dormitório inseridas na região de Ribeirão Preto/SP. A metodologia será baseada em técnicas quantitativas (questionários biográficos, dados secundários) e qualitativas (entrevistas, fotos e estudos de trajetórias). Os resultados esperados visam à produção de textos acadêmicos e a contribuição para a elaboração de políticas públicas destinadas às mulheres, com vistas à equidade de gênero e ao respeito dos direitos sociais e laborais.

2- Novas configurações do trabalho nos canaviais. Um estudo comparativo entre os estados de São Paulo e Alagoas. Edital Universal/CNPq/2011. Coordenadora.
Resumo: O presente projeto visa ao estudo das reconfigurações do trabalho nas agroindústrias canavieiras dos estados de São Paulo e Alagoas, tendo em vista o atual processo de mecanização do corte manual da cana de açúcar e seus reflexos sobre as condições de trabalho e a saúde dos (as) trabalhadores (as). O projeto se enquadra na área da sociologia rural e do trabalho. Trata-se de um projeto interinstitucional, sob a ótica comparativa, que será desenvolvido na Universidade Federal de São Carlos no PPG/Sociologia e contará com a participação de pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas, sob a vice coordenação da professora Alice Anabuki Plancherel.  A análise das reconfigurações do trabalho nos canaviais paulistas e alagoanos será vista sob as óticas de gênero/classe/etnia, após dois acontecimentos importantes: O Protocolo Agro-ambiental, firmado entre a ÚNICA (União da Indústria Canavieira) e o governo do estado de São Paulo em 2007, e o Pacto de Livre Adesão, firmado entre os representantes dos trabalhadores – CONTAG e FERAESP-, o governo federal e os representantes do patronato. Considera-se este momento como sendo de transição do trabalho manual do corte de cana para o trabalho mecanizado. Em função da rapidez das mudanças ocorridas no processo de trabalho nos canaviais, que envolvem o preparo do solo, plantio, controle de pragas e ervas daninhas, além da colheita, do transporte da cana cortada, considera-se que estas relações de trabalho no atual momento devam ser analisadas no contexto do processo de pós-trabalho manual do corte sob a perspectiva comparativa, posto que o processo de modernização da produção canavieira não se faz de forma homogênea nos territórios por onde ela se expande. Levanta-se a hipótese de que não ocorrerá a total eliminação do trabalho manual, porém a implantação de novos rearranjos no mercado de trabalho e também nos métodos de exploração da força de trabalho. Portanto, a problemática a ser estudada é a análise das novas morfologias do trabalho nos dois universos empíricos.

Este projeto ainda está em andamento no tocante á análise aprofundada dos dados.

3-    Participação como professora associada do Projeto temático, Mapeamento e análise do território do hidroagronegócio canavieiro no Pontal do Paranapanema-SP. Relações de trabalho, conflitos e formas de uso da terra e água a saúde ambiental, financiado pela FAPESP. Coordenador: Prof. Dr. Antônio Thomaz Júnior (FCT/UNESP/PP). 2013-2018.
Resumo: No presente projeto, desenvolveremos uma abordagem crítica acerca das questões da agroenergia e dos agro-combustíveis,  com as atenções voltadas para a expansão e consolidação do capital agroindustrial canavieiro e os impactos nas formas de uso da terra e da água, e da saúde do trabalhador, no contexto do Polígono do Agrohidronegócio, no Pontal do Paranapanema. Paraisso, será levada em conta a correlação entre as formas de uso da terra e da água e a legalização da grilagem por parte do agrohidronegócio, assim como seus desdobramentos para as ações políticas em torno da Reforma Agrária, e de temas ligados à Geografia do trabalho e da saúde ambiental. Assim, o projeto busca novos referenciais teóricos para romper as fragmentações clássicas dos estudos sobre a dinâmica da sociedade e da natureza. Da mesma forma, do ponto de vista metodológico, procura desenvolver metodologias de mapeamento e de aplicação de geotecnologias para apreender o movimento do trabalho e da natureza por dentro das disputas territoriais. Diante desses desafios, propomos-nos apreender o conteúdo e o significado dos conflitos sociais, sem perder de vista questões relacionadas à soberania alimentar e energética e à sustentabilidade ambiental. Dessa maneira, é relevante o aprofundamento do estudo sobre as formas de gestão e controle da água e das relações de trabalho, bem como de sua face nociva, quando consideramos a transmissão de doenças, contaminação ambiental, mutilação e morte dos trabalhadores, pois é uma possibilidade de discutirmos a invisibilidade social das doenças relacionadas ao trabalho, no Brasil, especialmente nas atividades agroenergéticas.  Por conseguinte, a questão central é compreender o desenvolvimento destrutivo das forças produtivas e que o capitalismo globalizado apresenta um movimento intenso e contraditório de integração, fragmentação, polarização, que redimensiona constantemente a diferenciação dos espaços sociais.